sábado, 31 de março de 2012

Se há coisa que me faz confusão



são as tecnologias onde não consigo ver finalidade nenhuma. Desde quando é que o Continente Online não é melhor que isto quinhentas vezes?

quinta-feira, 29 de março de 2012

Sala-de-estar

ou sala-de-estar-a-ver-televisão?
Não me lembro de ter visto uma só sala-de-estar orientada para estar, em vez de orientada para ver televisão. Nem a lareira se safa!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Tenho um amigo

com mais 52 anos que eu que sempre teve muita paciência para mim (tirando os últimos anos em que a situação do país lhe despertou alguma amargura e revolta, mas em que a minha idade também já não exigia paciência). Hoje soube que ele não está bem e apertou-se-me o coração.. sinto-me pequena. Não é pequena de quando ele ficava horas sentado no degrau da porta do prédio a olhar para mim enquanto eu dançava hula hoop. É pequena de apertada, de impotência e de querer meter o mundo inteiro no pause para que tudo possa ser consertado.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Abandono




Já fiz parte da educação de mais de uma centena de crianças mas, a verdade, é que nunca criei nenhuma. Não me assusta propriamente ter filhos devido à indisponibilidade a todos os níveis que isso passa a implicar nem sequer por motivos financeiros. Assusta-me sim porque penso que é a maior responsabilidade que temos na nossa vida. Ou devia ser.
Passaremos a ser alvo de dois olhos esbugalhados que vão processar tudo o que somos e fazemos, tudo o que lhes dizemos e fazemos sentir. Para o bem e para o mal, sem que haja um passo atrás. O que está feito está registado e vai estar presente, para sempre, na cabecinha do pequeno ser.
Por este motivo me assusta que hajam ainda tantos preconceitos, tanta falta de respeito, tanta violência e, principalmente, tanta irresponsabilidade na arte de educar uma criança.
Assusta-me este abandono das crianças. Assusta-me a inversão de prioridades em geral.

Coisas tristes de se ver:
Crianças com pouco mais de um ano mexerem melhor nos telefones que os pais
Pais que chegam a casa quando os filhos já dormem e acham que férias nas Ilhas Gregas os vão compensar
Adolescentes com ténis de 200€
Famílias a passear em Centros Comerciais ao fim de semana
Pais a fumar dentro do carro com crianças atrás
Pais a gritar com os filhos
Filhos a gritar com os pais
Pais a bater nos filhos
Filhos a bater nos pais
Pais que não têm mão nos filhos desde que nascem
Famílias com crianças pequenas que comem recorrentemente no McDonald's
Avós que não fazem parte da vida das crianças

quinta-feira, 22 de março de 2012

Álvaro de Campos

Lisbon Revisited
(l923)

 

(...) Não quero nada. 
Já disse que não quero nada. 
Não me venham com conclusões!  
(...) Não me tragam estéticas!  
Não me falem em moral! 
Tirem-me daqui a metafísica!  
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas  
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —  
Das ciências, das artes, da civilização moderna! 
Que mal fiz eu aos deuses todos? 
Se têm a verdade, guardem-na! 
(...) Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?  
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?  
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.  
Assim, como sou, tenham paciência!  
Vão para o diabo sem mim,  
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!  
Para que havemos de ir juntos? 
Não me peguem no braço!  
Não gosto que me peguem no braço.  Quero ser sozinho.   
Já disse que sou sozinho!  
(...)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Há uma linha muito ténue

entre nós e os outros. E quando menos esperamos encontramos um olhar e um receio igual ao nosso. E é bom saber que o mundo é feito de nós, todos iguais (capazes do mesmo, como tenho aprendido). E o melhor mesmo é abraçar o que há de mais sincero e ter o coração com mais um espacinho preenchido. Obrigada C.

segunda-feira, 19 de março de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Lela Lee and The little angry girls


Enquanto estudava na Universidade da Califórnia, Lela Lee produziu a curta-metragem “Angry little Asian girl – first day at school”. No entanto, esta ficou arrumada numa gaveta durante vários anos, até que Lela lhe pegasse novamente e criasse novos episódios.
(...)
Em 1994, Lela Lee frequentava o curso de Retórica na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Também nesse ano, a (futura) artista criou um pequeno vídeo animado sobre o primeiro dia de escola de Kim. Só que esta menina de ascendência asiática, apesar da idade, já se zangava e criticava como gente grande.
A história de Kim ficou, no entanto, guardada durante anos. Em 1998, quando Lela ganhou coragem e a tirou finalmente da gaveta, produziu mais quatro episódios. Compilou os cinco na série “Angry Little Asian Girl, Five Angry Episodes” e enviou-os para vários festivais de animação. A série acabou por ser exibida no “Spike and Mike’s Sick and Twisted Festival of Animation”, em Los Angeles, e Lela mandou estampar cerca de trezentas t-shirts com o intuito de a promover.(...)
Lela aproveitou igualmente os seus contactos como actriz para tentar publicar os cartoons na imprensa. Toda a gente elogiou a ideia, porém nenhum editor aceitou a história de Kim: “o meu trabalho não se insere nos padrões convencionais. Além disso, este mercado não está feito para os asiáticos”, justifica. Farta de rejeições, Lela aproveitou a sua fúria para desenhar tudo o que a inspirava e transformá-la numa animação cómica semanal.
Criou por exemplo Deborah - a melhor amiga, a “the disentanched princess” bonita, rica, que adora compras e dietas e gosta de Pat, mas ele é gay; Maria – “the crazy little latina”, amante da natureza, amiga de “Chuy”, a galinha, e de reflexões filosóficas sobre o mundo; Xyla – “the gloomy girl”, muitas vezes deprimida e melancólica, o seu lema de vida é “pensar na melhor maneira de morrer é o que me mantém viva”; e Bruce – o namorado e irmão de Deborah, que sofre com os seus ataques de fúria e não sabe como exercer o devido papel masculino na sociedade de hoje. “Cada um deles aborda um ponto de vista diferente sobre a raiva, como aliás as pessoas na vida real” explica Lela.
Visitem o site da cartoonista.



Este é o meu preferido!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Os amigos do coração

Há muitos amigos que vêm e vão e, dentro desses, há os que vêm e vão e pronto e há os que vêm e vão mas que ficam no nosso coração, porque a vida também separa pessoas que gostam muito umas das outras.. e não podemos, nem temos tempo, para dar-nos com toda a gente. E depois há os amigos da vida, de quem principalmente nos lembramos nos momentos muito bons e muito maus.

sábado, 10 de março de 2012

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Desengane-se quem acha que eu não tenho medo. Mas mais que medo, tenho vontade.

sexta-feira, 9 de março de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Eu não quero ser chata, mas..

O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa


Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.

Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.

A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?

sexta-feira, 2 de março de 2012

Os cortes

Tenho para mim que, ainda mais com os cortes orçamentais, as pessoas etilizadas transportadas ao hospital (pelo menos os transportes não urgentes) deviam pagar o serviço.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Ni

Quem é esse teu Deus? Porque o amas tanto e a ti não te respeitas? Porque privas a comida mas não a tua carne? Que caminho é esse que segues e que caminho é o outro que queres seguir mas desprezas? Não devias antes ser tu o teu Deus e amar-te e respeitar-te? Não devias caminhar de cabeça erguida e sorrir ao mundo desde dentro em vez de te curvares e arqueares os dedos das mãos e dos pés?